sexta-feira, 13 de novembro de 2009
"Adeus Paris!"
Este artigo foi escrito há alguns meses, antes do Ronaldinho Gaúcho se transferir para o Milan.
Com o título ‘Adeus Paris’, o meu querido amigo Pedro de Freitas, com o seu jeito contundente de sempre, escreveu no seu blogger ‘Boleiros e Artes’, sobre o fato de alguns brasileiros terem sido deportados pelo governo espanhol na semana passada:
‘O caso dos Brasileiros barrados na Espanha não é surpreendente. A Europa Ocidental está sendo assediada aos quatro cantos por bárbaros e está se fechando e repudiando essa gente. Basta ler os jornais para saber disso. A União Européia não quer saber de estrangeiros pobres e daqui pra frente, a coisa vai piorar. Os Europeus Ocidentais querem turistas americanos ou japoneses, e definitivamente não querem os habitantes do inferno por lá. Quem quiser viajar, que vá para o Leste Europeu, pois lá a população viveu por décadas sob o cacete de ditadores comunistas sanguinários e estão acostumados com a sujeira, a corrupção e todo esse lixo tão comum por aqui. Esqueçam Paris, Barcelona, Berlim e Londres. Vão para Bucarest, Kiev, Cazaquistão, Vietnã, Laos e Camboja. Ok?’.
Como não poderia deixar de acontecer, essas colocações geraram uma polêmica com o nosso também querido amigo Marcio Mello, que, no mesmo blogger, estabeleceu com o Pedro o seguinte diálogo:
Marcio Mello: “Caro Pedro, perguntar não ofende. Não é para tais lugares que vão os melhores jogadores brasileiros? ‘O Inferno são os outros’.”
Pedro: “Valeu pelo trocadilho existencialista, mas esses jogadores lá são como artistas de circo, e são tratados como tal. Depois, vem o descarte e são enxotados para o mercado asiático, e finalmente terminam nas divisões inferiores do Brasil, principalmente do Norte e Nordeste”.
Marcio Mello: “Caro Pedro, concordo em parte, mas os deportados também são tratados como artistas de circo, na ala dos palhaços. E as escravas sexuais, contrabandeadas vergonhosamente, porque são toleradas? Não sou contra o seu comentário, estou apenas querendo ampliar o assunto. Abraços”.
É, caro leitor, o assunto é mesmo muito polêmico. No entanto, também esclarecedor. E pensar que aproximadamente 800 jogadores brasileiros são vendidos para o exterior, a cada ano. Mesmo entre os que obtêm sucesso no concorrido mercado europeu, nos momentos de baixa produção, comumente são execrados pelas respectivas torcidas. Nenhum torcedor europeu tem a mesma paciência que normalmente demonstra com os jogadores nativos. É só lembrar o que aconteceu com o Roberto Carlos há 3 ou 4 anos no Real Madri, no tempo dos galácticos. Mesmo tendo conquistado todos os títulos possíveis e imagináveis, num momento de baixo astral de toda a equipe, foi o único jogador que quase foi linchado pelos torcedores merengues. Praticamente a mesma coisa está acontecendo com o Ronaldinho Gaúcho, há mais de um ano, no Barcelona. Todos os torcedores catalães, que há muito pouco tempo babavam com os seus lances geniais, estão querendo vê-lo pelas costas. Imaginem o que deve acontecer com os menos famosos!
Depois do exposto acima, acho que o meu querido amigo Pedro de Freitas, apesar da sua contundência, está coberto de razão. Essa situação dos nossos compatriotas expulsos da Espanha, e também dos nossos jogadores que atuam por lá, mostra apenas mais um dos efeitos colaterais negativos gerados pela malfadada Globalização. Para os ‘desenvolvidos’, nós, e todas as pessoas nascidas em paises do 3º Mundo, somos apenas ‘buchas de canhão’. Objetos que são usados e, depois, descartados, quando já não se mostram mais úteis.
E viva a Globalização da economia, e da... falta de respeito!
Carlos Claudinei Talli
Com o título ‘Adeus Paris’, o meu querido amigo Pedro de Freitas, com o seu jeito contundente de sempre, escreveu no seu blogger ‘Boleiros e Artes’, sobre o fato de alguns brasileiros terem sido deportados pelo governo espanhol na semana passada:
‘O caso dos Brasileiros barrados na Espanha não é surpreendente. A Europa Ocidental está sendo assediada aos quatro cantos por bárbaros e está se fechando e repudiando essa gente. Basta ler os jornais para saber disso. A União Européia não quer saber de estrangeiros pobres e daqui pra frente, a coisa vai piorar. Os Europeus Ocidentais querem turistas americanos ou japoneses, e definitivamente não querem os habitantes do inferno por lá. Quem quiser viajar, que vá para o Leste Europeu, pois lá a população viveu por décadas sob o cacete de ditadores comunistas sanguinários e estão acostumados com a sujeira, a corrupção e todo esse lixo tão comum por aqui. Esqueçam Paris, Barcelona, Berlim e Londres. Vão para Bucarest, Kiev, Cazaquistão, Vietnã, Laos e Camboja. Ok?’.
Como não poderia deixar de acontecer, essas colocações geraram uma polêmica com o nosso também querido amigo Marcio Mello, que, no mesmo blogger, estabeleceu com o Pedro o seguinte diálogo:
Marcio Mello: “Caro Pedro, perguntar não ofende. Não é para tais lugares que vão os melhores jogadores brasileiros? ‘O Inferno são os outros’.”
Pedro: “Valeu pelo trocadilho existencialista, mas esses jogadores lá são como artistas de circo, e são tratados como tal. Depois, vem o descarte e são enxotados para o mercado asiático, e finalmente terminam nas divisões inferiores do Brasil, principalmente do Norte e Nordeste”.
Marcio Mello: “Caro Pedro, concordo em parte, mas os deportados também são tratados como artistas de circo, na ala dos palhaços. E as escravas sexuais, contrabandeadas vergonhosamente, porque são toleradas? Não sou contra o seu comentário, estou apenas querendo ampliar o assunto. Abraços”.
É, caro leitor, o assunto é mesmo muito polêmico. No entanto, também esclarecedor. E pensar que aproximadamente 800 jogadores brasileiros são vendidos para o exterior, a cada ano. Mesmo entre os que obtêm sucesso no concorrido mercado europeu, nos momentos de baixa produção, comumente são execrados pelas respectivas torcidas. Nenhum torcedor europeu tem a mesma paciência que normalmente demonstra com os jogadores nativos. É só lembrar o que aconteceu com o Roberto Carlos há 3 ou 4 anos no Real Madri, no tempo dos galácticos. Mesmo tendo conquistado todos os títulos possíveis e imagináveis, num momento de baixo astral de toda a equipe, foi o único jogador que quase foi linchado pelos torcedores merengues. Praticamente a mesma coisa está acontecendo com o Ronaldinho Gaúcho, há mais de um ano, no Barcelona. Todos os torcedores catalães, que há muito pouco tempo babavam com os seus lances geniais, estão querendo vê-lo pelas costas. Imaginem o que deve acontecer com os menos famosos!
Depois do exposto acima, acho que o meu querido amigo Pedro de Freitas, apesar da sua contundência, está coberto de razão. Essa situação dos nossos compatriotas expulsos da Espanha, e também dos nossos jogadores que atuam por lá, mostra apenas mais um dos efeitos colaterais negativos gerados pela malfadada Globalização. Para os ‘desenvolvidos’, nós, e todas as pessoas nascidas em paises do 3º Mundo, somos apenas ‘buchas de canhão’. Objetos que são usados e, depois, descartados, quando já não se mostram mais úteis.
E viva a Globalização da economia, e da... falta de respeito!
Carlos Claudinei Talli
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